sexta-feira, 6 de março de 2009

Cadê a maçã?

Iniciei estas postagens abordando um tema que muito me agrada: a figura humana. Desde o início do meu trabalho, sempre foi algo que me interessou plasticamente. Abordar figuras humanas, ao mesmo tempo em que é atraente, é desafiador, na medida em que as habilidades de desenho são fundamentais para executá-las. Costumo dizer que um milímetro em uma natureza morta não faz diferença, mas em um rosto, é crucial. Por outro lado, a possibilidade de conferir expressividade às figuras, é um desafio compensador.

Outro aspecto interessante da figura humana é a beleza intrínseca do corpo humano, com a sua enorme gama de tons de pele e a plasticidade de movimentos, permitindo um sem-número de composições. Temos um natural interesse nas feições e disposições das figuras, de forma que este sempre será um tema presente na arte, e em cada época os artistas o representaram de formas diferentes, influenciados pela cultura vigente.

E cada artista tem a sua própria e única visão do tema, onde ele reflete as suas próprias impressões, experiências, opiniões. Lembro, por exemplo, de uma época em que desenhava as figuras muito magrinhas e ossudas. Era uma influência do momento. Hoje faço questão de valorizar as formas femininas, conferir-lhes uma certa voluptuosidade. Isso mostra que podemos mudar a nossa visão sobre um mesmo tema e transformá-lo ao longo da vida.

As imagens que coloquei neste post mostram as etapas de execução de uma tela de 80x100 cm, pintada à óleo s/ tela. Trata-se de um casal, em pose sensual, ambos nus, aparentemente envolvidos afetivamente um com o outro. A idéia inicial desta tela era retratar o primeiro olhar que Adão, o primeiro homem, teria lançado a Eva, a primeira mulher, assim que percebeu qua a amava. "Um homem, uma mulher, a cobra e a maçã". Simples e direto. A seguir, alguns exemplos de como outros artistas abordaram o tema. Falarei destes exemplos no próximo post.





Confesso que enfrentei alguns problemas durante as 32 horas em que estive pintando, até agora, este motivo. A forte alergia ao novo solvente que usei foi um deles. Outra questão importante foi a minha crescente insatisfação com o resultado final, excessivamente clássico e servil. Por enquanto, está uma tela insossa. Pretendo trabalhá-la mais, mas não tenho esperanças de satisfazer-me com o resultado final neste caso. Esta experiência me lembrou do básico: sempre ensaiar nos pequenos formatos - é rápido e têm-se maior controle do resultado. LMM